sexta-feira, 3 de abril de 2009

EU GOSTAVA DAS ENFERMEIRAS

Gostava de todas elas menos um pouco da Isauva, é bem verdade mas nada tão extraordinário assim. O meu xodó era a Cris (Dirlandia). Ela era super gente boa comigo. Tomara que a encontre na net ou pela vida, eu iria adorar. beijo pra vcs garotas.

O AUXILIAR DE SERVIÇO CHAMADO SERAFIM

Quando Serafim aparecia por lá, eu corria atrás dele para dizer onde era que tinha defeito. Bem, ele tinha feito um remendo numa fossa que tava uma porcaria daí virei pra ele e disse: "_ Serafim, pra isso daí ficar bem feito vc deve colocar uma lata de cimento pra uma de areia ou meia de cimento pra uma lata de areia. Fica sólido que nem uma rocha." Ele olhou pra mim e disse: "_ Você é engenheira ou o que?" Ele era bem gente boa mas nao queria papo.

OUTRAS INTERNAS...

Havia uma mulher bem alta lá que se chamava Elzinha. era um doce de pessoa mas tinha um jeitão bem desengonçado. falava tão rápido que vc nao entendia o que ela dizia a menos que gesticulasse. ela teve alta antes da gente. Ela gostava de levar as roupas no carrinho para a lavanderia.Valeu Elzinha. Eu também, certa vez, ajudei a lavar os dormitórios e foi uma delícia me sentir útil.
Tinha uma outra interna chamada Josefa que era um amor de pessoa. Dizia ter uma lan house em casa e me ensinou como colocar uma papelaria. Era super calma, eu gostava muito de conversar com ela.
Outra que não posso esquecer é Maria de Fátima. Minha mãe quando foi me visitar, pediu a ela pra tomar conta de mim. Eu passei a dormir no mesmo quarto que ela. Eu a chamava de Nossa Senhora de Fátima por acha-la parecida com a santa mas ela disse que preferia ser chamada só de Fátima. Ela me dava conselhos para me comportar lá dentro e fazíamos caminhada juntas. Nesse mesmo quarto dormia uma moça chamada Poliana. Certa vez ela pisou no meu pé e doeu pra burro. Poliana vivia infeliz porque dizia que a mãe nunca a visitara e também ela, desde que entrou no santa tereza, só tomava injeção para dormir só que essas injeções, além de muito doloridas, davam alucinações. fiquei sabendo disso ouvindo as enfermeiras conversarem. daí descobri que o psiquiatra dela era o dr. Ridalvo. no dia que ele pisou lá corri atrás dele e pedi que ele mudasse a medicação de Poliana só para comprimidos por causa das alucinações que ela estava tendo. não sei se ele atendeu ao meu pedido mas pelo menos fiz minha parte. Poliana era muito bonita e tinha uma filha. ela dizia que o pessoal da família dela a invejavam. daí eu dei conselho para ela fazer curso de modelo e mandar opovo da família dela pra puta que pariu. eu brincava bastante com ela de desfilar. era uma delícia.
Dona Rosa era gordona e de poucas palavras. ela ajudava na enfermaria e parecia uma índia. tinha um olhar profundo que parecia que lia a alma da gente.
Entrou lá uma gordinha que se chamava Marilene, acho. eita mulherzinha pessimista!!!! Dava vontade de dar uns cascudos e mandar ela pro inferno poia só chegava pra mim com indagações negativas. Que horror. As pessoas do mundo são mesmo muito sem fé, eu hein.!!!!!
Dona Cosma era uma graça. vivia numa mostrando a gordura e a vulva pra gente. quando eu a via passar, lhe agarrava e expremia contra a parede e ela morria de rir. Acho que demorou a sair de lá pois vivia nua, uma vez se melou toda de lama... Lá do Santa Tereza sai quem tem bom comportamento.
Tinha uma gordinha chamada Francineide que era casada com um homem bem mais velho que ela. gostava de fumar e eu dava conselhos pra que parasse e também dei conselhos nutricionais para que perdesse peso. ela gostou.
minha turma era priscila e zeneide. a gente vivi pregada...
A Helena adorava contar seus segredos pra mim e eu gostava muito de ouvi-la falar de seus amores e de sua vida pessoal.
Tinha Aparecida que era bem alta e tinha uma mania de ficar abrindo e fechado a boca. Ela era bem legal.
Enquanto estive lá, fui visitada duas vezes pelo dr. Abagaru (psiquiatra) e ele sempre gostou muito de conversar comigo e eu com ele. As conversas eram sempre acompanhadas por uma enfermeira pois se a gente mentisse sobre nosso comportamento, elas nos deduravam ao psiquiatra...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

EITA MULHER CORAJOSA

Tinha uma interna lá que me disse ter transado com um cara com o marido dentro de casa. enquanto ela estava num cômodo da casa com o amante, o marido estava em outro cômodo!!!!! Não sei se isso era verdade... Ela tinha jeito de mulher de malandro, falava com gírias e andava como homem: com os ombros caídos. Faltava-lhe quatro dentes da frente em sua dentadura... Não posso dizer o nome dela por que caso alguém de lá do santa tereza leia pode ser que dê pau...

EU E DONA LINDALVA

No Santa Tereza havia uma senhora chamada LIndalva. era viciada em cigarro e eu sempre dava conselhos para que ela parasse de fumar se nao iria morrer. ela era super agiatada acho que por causa do vício de fumar!!!! As internas de lá tinham acesso a cigarro que a família trazia na hora da visita!
Dona Lindalva cismou que o meu par de chinelo era dela. realmente eles eram da mesma marca mas o meu era com a correia de amarrar prateada e a dela era dourada. ela me encheu tanto o saco por causa dessa sandália que eu saí procurando nos pés de cada interna pra ver se achava a dela e nada. o jeito foi deixar elaa usar um pouco a minha. meus pés ficaram descalços. encheram de rachaduras fora umas lesões do penfigo que nasceram justamente no dedo indicador do pé direito. ficou horrível, todo infeccionado. pedi às enfermeiras que fizessem um curativo e tudo o que recebi foi um pedaço de algodão embebido em iodo!!!! Nossa que descaso!

Depois de um tempo, as lesoes do pé começaram a doer e eu cheia de rachaduras aí eu pensei: "_Quer saber, que se dane dona Lindalva. Quero meus chinelos de volta." E foi o que eu fiz, fui até ela e disse que nao aguentava mais andar descalça naquele ambiente imundo. Argh! Só de pensar já me dá um troço no estômago... Por fim, dona Lindalva permaneceu descalça mas o vício pelo cigarro continuava latente.

EU DE SANTA TAMBÉM NAO TINHA NADA

Quando eu queria alguma coisa e não queriam me dar, eu puxava a cama e a jogava contra a parede e fazia um estrondo danado! PÔ, o que custava dar a minha propria roupa pra vestir, remédios para as minhas feridas de pele ou mesmo um copo de água fria do bebedouro da enfermaria a qual era engradada. Será possível que eu tinha que me humilhar por tudo? Teve uma vez lá que fiquei nua até que me dessem minha roupa. teve uma hora que Serafim ia passando e me viu nua mas ainda bem que deu tempo de eu colocar uma das mão na vulva e os braços nos seios!!!!! Mas quero deixar claro que fiz isso em protesto contra a tirania de certos profissionais. Aquilo pra mim era abuso de poder... Eu xingava as internas de porcas pois elas cuspiam no dormitório e deixavam lixo em qualquer lugar. Achava aquilo nojento e passei a protestar. Eu falava muito em Deus, falei que era uma ex-suicida e que tinha me curado graças a fé no Todo Poderoso... Dava conselhos a muitas delas, fiz belas amizades que acho que não vou reencontrar. eu tinha o endereço de algumas num pedaço de papel que consegui escondido pois nem isso elas me davam: papel e caneta, mas não sei onde coloquei esse papel. esses psicotrópicos deixam a gente em estado de embriaguês total onde as coisas boas, e também os segredos mais escabrosos, vem à tona.
Um dia pintou por lá uma mulher chamada Loiola e me disseram que ela era a dona do Santa Tereza. Ah, era o que eu mais precisava saber. Falei pra ela que nos banheiros não haviam cestos de lixo e a gente tinha que tomar banho nadando em menstruação alheia. também falei que o bebedouro deveria ser do lado de fora pra gente nao ter que ficar nos humilhando por um copo d' água. também falei que ali precisava de uma piscina pra gente fazer hidroginástica e plantar um pomar e uma horta. No terreno que tinha vazio do lado dava pra fazer isso. eu, priscila e josefa já estávamos plantando as sementes que vinham das merendas dos visitantes: plantamos laranja, limao, manga, maçã....
Tatiane é a filha de Loiola e ela até que escutava o que eu falava mas nao manifestava nenhuma opinião. o que eu mais ouvia era: "_Vai dormir, Silvia. Você está precisando é de dormir!" Teve uma vez que elas se reuniram e começaram a comentar que os medicamentos pra dormir pareciam nao fazer efeito em mim e ficou por isso mesmo...

A GENTE ACHAVA QUE VANESSA ERA HOMEM

Apareceu lá uma moça chamada Vanessa que vc jurava se tratar de um homem. Ela andava de braço dado com outras detentas e Ana Cleide grudou nela. Teve um dia que Vanessa estava deitada no dormitório e Cleide, nua, ficou por cima dela!!!! Aff que povo mais sem noção! Deus me livre. Graças a Deus que sempre estive lúcida em todos os momentos por mais que estivesse entupida de remédios pra dormir e pro pênfigo vulgar (meu problema de pele). Mas se disse que eu era uma santa estaria mentindo...